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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Osmar J. Santos

"Muito linda essa música... 100 palavras!"
Desconfiado, contei.
Só havia 97.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Extravio


Por Osmar J. Santos

Selou o envelope e entregou-o à atendente.
Esperou resposta como quem, à janela, espera o canto matinal dos pássaros.
Ela não veio.

Dia após dia, a angústia do silêncio lhe tomava.
Seus dias ficaram mais tristes.

Dia após dia, a angústia do silêncio lhe tomava.
Seus dias (também) ficaram mais tristes.

Ela nunca soube que a carta fora postada.

Ele, que a carta não chegou a suas mãos.

Certos quanto a não correspondência, calaram-se.
O mal entendido fez-se distância. 

domingo, 24 de agosto de 2014

Sobre a felicidade



 Osmar J. Santos

Engana-se quem afirma tentar alcançá-la - como se em algum momento ela tivesse pego um trem e estivesse sempre uma estação à frente. O que se busca, em suma, é uma coisa outra, que perdoem não saber o nome (ou mesmo do que se trata) mas que sei não atender por Felicidade. Felicidade, felicidade mesmo é trilhar com prazer o caminho na busca dessa coisa outra.

(Postagem nº 100 do Blogaragem. Aos amigos que por aqui passeiam, meus sinceros agradecimentos).

sábado, 9 de agosto de 2014

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Osmar J. Santos

Antes o sofrer das poesias,
o sofrer das canções de amor.
Antes o sofrer das linhas
bem escritas de um romance qualquer
que o sofrer de um coração
que bate de verdade
e sofre de verdade.

sábado, 14 de dezembro de 2013

E ainda não sei andar de bicicleta

Por Osmar J. Santos

Fiz mil planos.
Não planejei obstáculos.
Sabia onde queria chegar.
Mas antes chegou o tempo
como quem manda um recado
e ensinou que as coisas não são como quero.
Que o caminhar das horas independe de minhas vontades.
Aprendi que há pedras no caminho.
Que choverá enquanto peço tempo bom
e que o Sol poderá aparecer apenas no dia seguinte.
Aprendi que há noites sem luar.
Que nem sempre haverá vento.
Aprendi coisas que todos sabem
e coisas que só eu sei.

sábado, 13 de abril de 2013

Da urgência da palavra


  Por Osmar J. Santos       

    Fora acometido de uma incontrolável vontade de escrever; de colocar no papel o que sentia.
   Passava das duas da manhã e não havia som lá fora. Sobre a escrivaninha um tinteiro, algumas folhas parcialmente riscadas e uma xícara de chá de canela. Estava visivelmente cansado - não o bastante para abandonar seu propósito e deixar-se vencer pelo sono.
   Um sorriso passou rapidamente por seus lábios - acontecia todas as vezes que nela pensava; que lia seus textos; que a encontrava.
    Já havia algum tempo desde o último encontro mas não esquecera o macio de sua pele; o doce de seu sorriso; o vermelho intenso de suas unhas. 
   As lembranças brincavam em sua mente. Distraía-se e o sorriso vinha fácil; mas logo desfazía-se, feito a rara brisa de um dia de sol. A expressão séria, sisuda mesmo, era devolvida à sua face. Lembrava  não que o relógio já marcava três da manhã; muito menos que deveria levantar às cinco; mas sim que não houvera até então, lhe falado sobre o que sentia. Não havia naquele momento, algo que traduzisse sua expressão. A urgência já não era colocar palavras no papel. Era falar-lhe.
    (...) e mergulhava novamente em seus pensamentos...
   Apagou a lâmpada. Não fechou os olhos, mas o escuro não lhe permitia enxergar além de seus próprios pensamentos: o macio de sua pele; o doce de seu sorriso; o vermelho intenso de suas unhas, o macio de sua pele...
Novamente pôde-se ver o sorriso distraído tomar sua face.