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sábado, 4 de junho de 2016

Divórcio

Osmar J.Santos


Abri os olhos e não havia luz.
A pele ardia.
O corpo ardia - não havia pele.
Em carne viva, tentava mover-me.
Doía.

domingo, 22 de maio de 2016

Osmar J. Santos

Sedento de silêncio, 
recolho-me ao escuro do meu quarto.
Lá, onde nenhuma luz é possível...

(um breve sorriso, seguido de uma lágrima, por alguns segundos silencia o pensamento.)
   
... lá, onde nenhuma luz é possível, 
é-me permitido sorrir e chorar.
Lá, no escuro do meu quarto,
é-me permitido o que em nenhum outro lugar:
sentir saudades.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Sobre a ocupante da poltrona 19C

Osmar J. Santos


      Era um daqueles voos chatos. longos. Com um pouco de turbulência. Melhor, muita turbulência - de forma que em alguns momentos parecíamos mesmo estar numa estrada ruim. Mas não. Não é a turbulência o foco desse mal escrito. A personagem principal dessa história é a ocupante da poltrona 19C. Sei lá, 3 ou 4 anos. Não mais que isso...
    Turbulência é um momento chato, concordo. Mas há coisas piores e talvez (ou melhor sem sombra de dúvidas - e reconheço que só falo isso porque não tenho medo de turbulência) a pior delas seja a aerodilatação auditiva - causa daquela dor de ouvido e da acentuada e momentânea redução da audição a ponto de quase não se ouvir a própria voz.
      Ela chorava e eu, que só não compartilhava do seu choro por já ter passado dos 3 ou 4 anos que ela ainda possuía, era solidário a sua dor. 
     A mim, que não tinha a quem apelar, restava torcer para que a aeronave tão logo tocasse o chão e assim terminasse nosso suplício. A ela, que tinha na poltrona 19B aquela a quem recorremos nos momentos mais difíceis de nossas vidas, coube surpreender a todos aqueles que conseguiram ouvir seu choroso e soluçante apelo:
 "Mãe, eu não quero ficar sem voz..."

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Vênia

Osmar J. Santos

Mesmo eu,
que entendo pouco de quase tudo
e quase nada sobre o restante,
vez ou outra, escrevo bons versos.
Perdoem-me por estes.

sábado, 16 de maio de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Osmar J. Santos

"Muito linda essa música... 100 palavras!"
Desconfiado, contei.
Só havia 97.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Extravio


Por Osmar J. Santos

Selou o envelope e entregou-o à atendente.
Esperou resposta como quem, à janela, espera o canto matinal dos pássaros.
Ela não veio.

Dia após dia, a angústia do silêncio lhe tomava.
Seus dias ficaram mais tristes.

Dia após dia, a angústia do silêncio lhe tomava.
Seus dias (também) ficaram mais tristes.

Ela nunca soube que a carta fora postada.

Ele, que a carta não chegou a suas mãos.

Certos quanto a não correspondência, calaram-se.
O mal entendido fez-se distância.