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domingo, 14 de outubro de 2012

A intenção


Por Osmar J. Santos




Era o primeiro encontro. Ele, tímido, fingia sentir-se à vontade. Ela, sempre sorridente, disfarçava as tristezas que seu último relacionamento lhe causara.
Olho para o que escrevi até aqui e fico a me perguntar: Qual será o próximo passo? O que escrever nas próximas linhas?
Hipócrita, isso que sou! O destino deles já está traçado desde as primeiras palavras.
Ela queria ser feliz outra vez. Foi o que disse ao aceitar o pedido de namoro. Ele iria fazê-la feliz. Foi o que lhe garantiu após o primeiro beijo.
Sei que agora espera que diga se conseguiu. Desconfio até que tenha um palpite. Desconfio também que está achando tudo isso um pouco estranho. Achando que não valerá à pena continuar a leitura. E que o melhor é passar para a próxima página. E que... Direi apenas que caso desista, não saberá o fim desta história. Coisa parecida já aconteceu antes... Certa feita minha irmã, com sono, não assistiu ao filme até o final. No dia seguinte perguntou-me o que aconteceu e inventei um desfecho. Ria por dentro enquanto narrava as cenas que até aquele momento inabitavam minha memória. Peso de consciência? Bobagem... Arrependimento? Nenhum... Afinal, quem mandou dormir?
Acredito que esteja até achando um pouco de graça agora (é da natureza humana divertir-se com o infortúnio alheio), mas uma coisa lhe digo: Isso é mais cruel que engraçado. Não o fato de ter inventado um final para um filme cujo verdadeiro desfecho só saberá caso assista novamente (e assista até o fim); mas sim o fato dessa história ser inacabada.
O que houve com o casal?
Poderia dizer que sinto muito, mas não. Confessarei: não, eu não sinto.
Poderia lhe dizer que o texto enveredou por caminhos estranhos, desconhecidos; que perdi sobre ele o controle que imaginei ter; mas não. Direi o contrário: foi tudo de caso pensado. Isso mesmo. Não existe história, não existe casal, não existe final e devo dizer: foi tudo intencional.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Do silêncio

Por Osmar J. Santos

Não gosto do silêncio... 
ele não sabe guardar segredos.
Grita aos quatro ventos
tudo aquilo que insisto em não dizer.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sonhos

Por Osmar Santos

"Sonhos são mesmo assim... As pessoas têm outros nomes, rostos outros, mas ainda assim, estranhamente sabemos de quem se trata".

sábado, 22 de outubro de 2011

Reacender - (mini-poema)

Por Osmar Santos
(dedicado a alguém especial)



Agora que a chuva parou ,
Que a tempestade passou , 
Que o sol apareceu . . .

Reacender .


quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Esboço De Uma Teoria Do Texto ou De um Silêncio à Outro ou Diálogo ou Ainda, Surtos Numa Aula de Introdução à Crítica Textual


Por Osmar Santos


Rompeu o silêncio e exclamou:
- Esse texto não é meu!
- Mas como, se está assinado por você? Esta assinatura não é sua? - Perguntou O Outro.
- Sim, é! - Respondeu ele, tranquilo.
Com ar triunfante, O Outro novamente inquiriu:
 - E isso não prova que o texto é seu?
- Não. Prova o contrário. - Respondeu decisivo.
- Como assim? - Perguntou O Outro um pouco confuso.
Com paciência, ele explicou:
- Ao assinar o texto, ele deixa de ser meu e passa a ser do Outro. As palavras fogem de mim... se perdem e se encontram no Outro. Perdem-se e tornam-se propriedade alheia.
Sem mais perguntas, O Outro calou-se.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Encontro de Almas


Por Osmar Santos




Ontem tive um encontro.
Sua aparência era diferente. Parecia no corpo de outra pessoa, mas estranhamente sabia que era você.
Lembro-me bem e sei que não conhecia aquele rosto. Mas só agora que acordei tenho essa consciência. No sonho tudo era natural, conhecido. Era como uma outra realidade. Coisas que só fazem sentido em sonho. Lembranças por algum motivo adormecidas...
Não conhecia o lugar também. Mas que importância tem isso?
Nenhuma. Eu sabia onde estava.
Agora, de olhos abertos não consigo mais saber. Sei que forçar a memória será um esforço inútil. Afinal, nunca estive lá - penso eu.
Contentar-me-ei com as imagens que agora julgo non senses.
Afinal, o que me importa, lembro-me bem.
Você.
Sim, aquela era você.
Aquele beijo foi seu.



quarta-feira, 2 de março de 2011

Tuas Cartas



Cartas que são tuas,
guardadas em minha gaveta.
leio, releio,
Reconheço a minha letra.

As cartas, são tuas,
Mas eu as escrevi.
As palavras são minhas
Foram feitas para ti.

by: Osmar Santos



domingo, 13 de fevereiro de 2011

Insônia - Noite em Claro




Vejo o caminhar das horas,
Ouço o tic-tac do relógio,
Mas o tempo não passa.

Os minutos se arrastam,
As horas insistem em não passar.
A noite é longa,
O dia demora a chegar

E o pensamento é em você...

by: Osmar Santos